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Posicione-se

A situação é a seguinte:
Um homem sequestrou e abusou de duas menininhas e em seguida as mutilou e assassinou cruel e friamente. Foi preso e condenado. Certo dia, passou mal na prisão. Dois policiais o levaram em um ônibus ao hospital. No meio do caminho, o criminoso conseguiu se desvencilhar das correntes, "apagar" um policial de cada vez e fugir.
Meses depois, o pedófilo sequestrou uma menina de cinco anos e fez o que tinha feito no caso anterior. Só que dessa vez as autoridades não foram capazes de pegá-lo.
O pai da criança de cinco anos, à beira da loucura, decidiu que o assassino deveria morrer. Então ele estudou o passado do homem e foi atrás dele. O pai enlutado - e armado - o encontrou em frente a um jardim de infância (o criminoso planejava abusar e matar mais duas meninas), sentado em um banco e de costas para ele. Sem pestanejar, deu dois tiros no pedófilo.
O pai salvou a vida de duas menininhas inocentes.
A mídia apontou seus holofotes para ele.

Herói. Assim a sociedade o via, como um herói.

No dia do julgamento, o promotor pediu prisão perpétua para o justiceiro.
A advogada alegou legítima defesa.
O júri absolveu o réu. O pai ficou livre da cadeia.

Entretanto, assim como os assassinatos com as criancinhas, foi um crime pré-meditado.
O pedófilo merecia morrer?
Uma vida vale mais do que a outra?
Existe uma classificação para arrependimentos?

Mas foi legítima defesa. O pai salvou a vida de inúmeras outras crianças que poderiam ser vítimas do pervertido.

Se você fosse o pai, você o mataria?

Depois do julgamento, uma onda de atentados a possíveis pedófilos se espalhou pelo país, era legítima defesa.

Mas será que a graça de Deus não pode alcançar o pedófilo? Ele não é digno de arrependimento? Deus não o ama? Não pode libertá-lo e salvá-lo?
Saiba mais lendo A Cabana.

A justiça, sim, deve ser feita. Mas sob qual ótica filosófica devemos nos posicionar, para estarmos acima do bem e do mal?

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Por Thaísa Farias.